quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Brasil

PF ouve suspeitos após áudio sobre água em aldeia de MS, diz ministro

Denúncia de possível envenenamento ocorreu em Tacuru; governo também anunciou reforço da Força Nacional e ofereceu programa de proteção a vítimas indígenas.
PF ouve suspeitos após áudio sobre água em aldeia de MS, diz ministro
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos

A Polícia Federal ouviu suspeitos após uma denúncia de possível envenenamento da água na aldeia Sassoró, em Tacuru, Mato Grosso do Sul, segundo o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena. O caso veio à tona depois da circulação de um áudio em grupos da cidade, com ameaça de contaminação. A suspeita mencionada é de participação de um servidor público do município.

Durante visita de ministros às aldeias Guarani Kaiowá Sassoró e Taquapery, em Coronel Sapucaia, o governo informou que o monitoramento da qualidade da água será reforçado na comunidade de Tacuru. A comitiva esteve na região após denúncias de violência e ameaças contra indígenas registradas depois do segundo turno das eleições.

Casos ainda passam por análise

Eloy Terena afirmou que dez casos foram selecionados após a filtragem das denúncias recebidas. Quatro deles ocorreram em Mato Grosso do Sul. Segundo o ministro, a apuração ainda é preliminar e, até aquele momento, apenas o episódio relacionado à água apresentava ligação direta com crime político.

As demais ocorrências não foram descartadas, mas ainda não receberam essa classificação. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) havia contabilizado mais de 30 casos de violência contra indígenas na região após as eleições. Terena ressaltou que parte das denúncias pode ser referente a períodos anteriores e precisa ser verificada.

Reforço da Força Nacional

Na mesma agenda, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, anunciou que a presença da Força Nacional em Mato Grosso do Sul deverá ser ampliada. O efetivo receberá reforço para atuar na proteção das aldeias Guarani Kaiowá.

De acordo com Lima e Silva, as equipes adotarão o procedimento chamado “Minuto a Minuto”. A proposta é manter os agentes na área de operações, disponíveis para deslocamento em ocorrências com aparência criminosa ou consideradas graves. O acionamento poderá ser feito pela Polícia Federal, pela Polícia Rodoviária Federal ou pelas forças estaduais.

O procedimento deverá transmitir imagens e informações sobre o tipo de ocorrência e, quando possível, indicar a autoria e a materialidade dos fatos. A divulgação não informa quantos agentes serão acrescentados à operação nem estabelece prazo para a ampliação do efetivo.

Programa de proteção

O Ministério dos Direitos Humanos informou que colocará o Programa de Proteção à disposição das vítimas dos casos denunciados. Segundo a pasta, mais de 80 indígenas de Mato Grosso do Sul já integram o programa.

Além de Lima e Silva e Eloy Terena, participou da visita Janine Mello, ministra dos Direitos Humanos. As comunidades visitadas ficam na fronteira com o Paraguai.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos