sábado, 24 de outubro de 2026
Brasil

Disque 100 registra 2.774 denúncias de intolerância religiosa em período analisado pelo Idafro

Minidossiê compara propostas de Lula e Flávio Bolsonaro sobre racismo, segurança pública e liberdade religiosa e cita política nacional para povos de terreiro.
Disque 100 registra 2.774 denúncias de intolerância religiosa em período analisado pelo Idafro
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos

O Disque Direitos Humanos (Disque 100) registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. O número é citado em um minidossiê do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro), que compara ações e propostas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) antes da votação de domingo (25).

Intitulado Igualdade Racial e Racismo Religioso nas Ações e Posições de Lula e Flávio, o documento foi lançado neste mês. Segundo o Idafro, a análise consultou sites do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de notícias de jornal. As fontes estão reunidas na íntegra da publicação, de acordo com o instituto.

Políticas para povos de terreiro

Na comparação apresentada pelo Idafro, Lula reconhece a discriminação racial como um dos fatores associados às desigualdades. Entre as propostas relacionadas ao candidato estão o aprimoramento de políticas de ações afirmativas, a regularização de territórios quilombolas e a demarcação de terras indígenas.

O programa também é descrito como voltado à proteção da juventude negra contra a violência e à adoção de medidas para reduzir homicídios. O instituto afirma que pessoas negras são as principais vítimas desse tipo de crime.

O minidossiê ainda cita a criação, em 2024, de um grupo responsável por elaborar uma política nacional para povos de terreiro. De acordo com o Idafro, a iniciativa reforçou direitos como a inviolabilidade dos terreiros, frequentemente invadidos e depredados, e estimulou a preservação do patrimônio imaterial.

Diferenças apontadas pelo instituto

Na avaliação do Idafro, declarações e o programa de governo de Flávio Bolsonaro negam a existência do racismo. A publicação afirma que o plano não menciona termos como “cota”, “racismo”, “negro”, “preto”, “pardo”, “inclusão racial”, “terreiro”, “matriz africana”, “laico”, “intolerância” ou “discriminação”.

O documento também contrapõe as propostas dos candidatos na área de segurança pública. Segundo o instituto, o programa de Flávio prevê a criação de um sistema de reconhecimento facial. A entidade afirma que pesquisas brasileiras e estrangeiras apontam taxas de erro mais elevadas na identificação de rostos pretos e pardos, o que poderia resultar em prisões equivocadas e abordagens injustas.

Em relação ao programa de Lula, o Idafro destaca a prioridade atribuída à proteção da juventude negra e à redução de homicídios. As diferenças são apresentadas no minidossiê como parte da discussão sobre políticas de segurança com risco de impacto racial.

Conteúdos falsos e intolerância

A publicação recupera episódios de desinformação ocorridos na véspera do primeiro turno e que tiveram Lula e a primeira-dama Janja Lula da Silva como alvos. Entre os exemplos citados estão imagens geradas por inteligência artificial que simulavam uma oferenda no Palácio do Planalto, associações de Janja a rituais satânicos e informações falsas sobre cobrança de impostos de igrejas.

O vice-presidente da chapa de Flávio, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), também é mencionado por ter divulgado um vídeo de Lula em um terreiro e questionado a fé do presidente. Conforme a publicação, Lula recebia uma homenagem no momento registrado.

Para o Idafro, o uso estigmatizante dessas peças atinge povos de terreiro mesmo quando o alvo declarado é um candidato e independentemente de quem seja o beneficiário eleitoral. A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada para comentar o levantamento, mas não há, na divulgação, um posicionamento apresentado.

Atendimento

O Disque 100 é um serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O atendimento funciona 24 horas, é gratuito e imediato.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos