segunda-feira, 28 de setembro de 2026
SAÚDE

Sono também pode ser afetado pelo clima seco de Brasília

O clima seco de Brasília pode prejudicar o sono ao intensificar sintomas como nariz entupido, irritação na garganta, tosse e sangramento nasal. Entenda por que isso acontece e quais cuidados podem aliviar o desconforto.

O clima seco de Brasília não afeta apenas a pele, os olhos e as vias respiratórias durante o dia. À noite, a baixa umidade do ar também pode prejudicar o sono ao provocar ressecamento do nariz e da garganta, congestão nasal, tosse, ardência e dificuldade para respirar.

O problema tende a ser mais perceptível durante o período de estiagem, que costuma atingir o Distrito Federal entre os meses mais secos do ano. De acordo com dados históricos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), agosto e setembro estão entre os meses de menor umidade relativa do ar em Brasília. (portal.inmet.gov.br)

Quando esses sintomas aparecem no período noturno, a pessoa pode ter mais dificuldade para adormecer, acordar várias vezes ou levantar com a sensação de que não descansou o suficiente. O efeito não ocorre necessariamente com todos os moradores, mas é mais provável entre pessoas com rinite, asma, bronquite, alergias ou outras doenças respiratórias.

Por que o ar seco interfere no sono

A umidade relativa do ar indica a quantidade de vapor de água presente na atmosfera em relação ao máximo que o ar consegue comportar naquela temperatura. Em Brasília, o índice costuma ser mais alto no período chuvoso e cair durante a seca, especialmente nas tardes e nos meses de agosto e setembro.

O ar com pouca umidade favorece o ressecamento das mucosas do nariz e da garganta. Como consequência, podem surgir ardência, coceira, formação de crostas, obstrução nasal, espirros, tosse e até sangramento. Esses sintomas podem ficar mais incômodos quando a pessoa permanece deitada por várias horas.

Com o nariz congestionado, é comum que a respiração pela boca aumente. Isso pode ressecar ainda mais a garganta e contribuir para ronco, sensação de sufocamento e despertares noturnos. Orientações de saúde pública também relacionam o ar seco a sintomas que podem interferir no sono, na concentração e nas atividades do dia a dia. (agenciabrasilia.df.gov.br)

O desconforto pode ser agravado pela presença de poeira, fumaça e partículas suspensas no ambiente. Em períodos de seca, a dispersão de poluentes pode ficar prejudicada, aumentando a irritação das vias respiratórias e a chance de piora em pessoas que já têm doenças como asma e rinite. (coren-df.gov.br)

Principais sinais durante a noite

Os efeitos do clima seco sobre o sono podem aparecer de diferentes formas. Entre os sinais mais comuns estão:

  • nariz entupido ou com sensação de ressecamento;
  • garganta arranhando ou ardendo;
  • tosse seca ao deitar ou durante a madrugada;
  • espirros e coceira no nariz;
  • respiração pela boca;
  • ronco mais intenso;
  • acordar com sede ou com a boca seca;
  • sangramento nasal;
  • despertares frequentes e sono fragmentado.

Esses sintomas não significam, por si só, que a pessoa tenha um distúrbio do sono. Em muitos casos, eles são uma resposta temporária ao ambiente seco ou à irritação das vias respiratórias. No entanto, quando se repetem por vários dias ou prejudicam a rotina, é recomendável buscar avaliação profissional.

Quem pode sentir mais os efeitos

Pessoas com rinite alérgica, asma, bronquite, sinusite ou outras condições respiratórias tendem a ser mais sensíveis à variação da umidade. Crianças, idosos e indivíduos com doenças crônicas também podem apresentar maior desconforto, principalmente quando há exposição simultânea a poeira, fumaça ou ambientes pouco ventilados.

A baixa umidade pode ressecar a mucosa que ajuda a proteger as vias aéreas. Com essa barreira menos eficiente, a irritação pode aumentar e sintomas respiratórios preexistentes podem se intensificar. O Governo do Distrito Federal lista, entre os efeitos associados ao ar seco e poluído, ressecamento do nariz e da garganta, tosse, dificuldade para respirar, crises de rinite e asma e maior risco de infecções respiratórias. (saude.df.gov.br)

O desconforto também pode ser maior em quartos com poeira acumulada, tapetes, cortinas pesadas ou roupas de cama que não são higienizadas regularmente. Nesses casos, a irritação pode estar relacionada não apenas à umidade, mas também à presença de partículas e alérgenos no ambiente.

Cuidados para dormir melhor durante a seca

Algumas medidas simples podem reduzir o impacto do ar seco durante a noite. A primeira é manter uma boa hidratação ao longo do dia. A ingestão de água ajuda a evitar a sensação de boca seca e contribui para o conforto geral, embora não substitua a avaliação médica quando há sintomas persistentes.

A higiene nasal com soro fisiológico também pode ajudar a manter a mucosa hidratada e aliviar a obstrução. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal e a Agência Brasília mencionam a lavagem nasal como uma medida de cuidado no período seco, especialmente quando há ressecamento, crostas, irritação ou sangramento. (agenciabrasilia.df.gov.br)

O quarto deve ser mantido limpo, com redução de poeira e ventilação adequada. Quando possível, é importante evitar fumaça de cigarro, incensos, queimadas e produtos com cheiro forte, pois esses agentes podem irritar o nariz e a garganta.

Também é útil observar a temperatura do ambiente. O calor excessivo pode aumentar o desconforto e dificultar o início do sono, enquanto o uso inadequado de ventiladores ou aparelhos de ar-condicionado pode aumentar a sensação de ressecamento em algumas pessoas. A orientação é buscar uma temperatura confortável e evitar que o fluxo de ar fique diretamente sobre o rosto.

O uso de umidificadores exige atenção. O aparelho precisa ser higienizado de acordo com as instruções do fabricante para evitar o acúmulo de fungos e bactérias. Além disso, elevar demais a umidade pode favorecer mofo e ácaros. Por isso, o objetivo não deve ser transformar o quarto em um ambiente excessivamente úmido, mas reduzir o desconforto sem criar novas fontes de irritação.

Umidade muito baixa exige atenção

Órgãos de saúde costumam classificar a umidade relativa abaixo de 30% como uma situação que merece atenção. No Distrito Federal, os boletins de vigilância ambiental destacam que os índices podem cair especialmente no final do inverno e no início da primavera, com maior redução durante a tarde. (bvsms.saude.gov.br)

Na prática, o valor registrado durante o dia não representa necessariamente a umidade dentro do quarto durante a madrugada. A temperatura, a ventilação, o uso de ar-condicionado e as características do imóvel podem alterar a sensação no ambiente. Ainda assim, períodos prolongados de seca costumam aumentar a ocorrência de queixas respiratórias e de ressecamento.

O morador pode acompanhar os avisos meteorológicos do Inmet e os boletins de umidade divulgados por órgãos do Distrito Federal. A consulta ajuda a identificar dias de maior risco e a reforçar medidas como hidratação, redução da exposição à fumaça e cuidados com a qualidade do ar.

Quando procurar atendimento

É importante buscar atendimento em uma unidade de saúde quando a dificuldade para respirar, a tosse ou a congestão forem intensas, persistentes ou acompanhadas de chiado no peito, febre, dor no peito, cansaço incomum ou piora de uma doença respiratória já conhecida.

O sangramento nasal frequente também deve ser avaliado, principalmente quando não melhora com os cuidados habituais. Pessoas com asma, doença pulmonar, alergias importantes ou histórico de crises devem seguir o tratamento prescrito e não interromper medicamentos por conta própria.

Ronco alto e frequente, pausas na respiração percebidas por outra pessoa, engasgos durante o sono e sonolência excessiva durante o dia também merecem investigação. Esses sinais podem estar relacionados a distúrbios do sono e não devem ser atribuídos automaticamente ao clima seco.

O clima é um fator, mas não o único

O tempo seco pode contribuir para a piora do sono, mas a qualidade do descanso depende de vários fatores. Estresse, horários irregulares, excesso de telas à noite, consumo de cafeína, álcool, sedentarismo e doenças respiratórias também podem influenciar a capacidade de dormir bem.

Por isso, a melhor abordagem é observar o conjunto de sintomas. Se a dificuldade começou durante um período de baixa umidade e melhora com a hidratação, a higiene nasal e a redução de irritantes, o clima pode ter papel relevante. Se o problema continua mesmo com a mudança das condições ambientais, é necessário considerar outras causas.

Em Brasília, onde a estiagem pode trazer índices muito baixos de umidade, cuidar do ambiente de sono é uma forma de reduzir o desconforto e proteger as vias respiratórias. Medidas simples, atenção aos sinais do corpo e acompanhamento dos alertas oficiais ajudam a atravessar o período seco com menos impacto sobre o descanso.

Fontes: Instituto Nacional de Meteorologia, Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde e Agência Brasília.