segunda-feira, 28 de setembro de 2026
SAÚDE

Cuidados com alergias ganham importância durante a seca em Brasília

Durante o período de seca em Brasília, a baixa umidade do ar favorece o ressecamento das mucosas e mantém poeira, poluentes e outros agentes irritantes suspensos por mais tempo. Medidas simples, como hidratação, lavagem nasal, limpeza com pano úmido e atenção ao uso de umidificadores, ajudam a prevenir crises alérgicas e respiratórias.

A combinação de baixa umidade do ar, calor, vento e aumento da poeira torna os cuidados com alergias mais importantes durante a seca em Brasília. O período costuma favorecer o ressecamento das mucosas do nariz, da garganta e dos olhos, além de manter partículas irritantes suspensas no ambiente por mais tempo.

Com a chegada da primavera em 22 de setembro de 2026, a atenção continua necessária no Distrito Federal. Embora a estação possa trazer mudanças graduais nas condições do tempo, dias quentes e secos ainda podem ocorrer. Nesse cenário, pessoas com rinite, conjuntivite alérgica, asma, sinusite ou outras doenças respiratórias tendem a ficar mais suscetíveis a desconfortos e crises.

Orientações divulgadas por órgãos de saúde do Distrito Federal e pelo Ministério da Saúde destacam medidas de prevenção que podem ser incorporadas à rotina. As recomendações incluem manter a hidratação, cuidar da limpeza da casa, evitar fumaça e odores fortes e usar corretamente o soro fisiológico e os aparelhos umidificadores.

Por que a seca pode piorar as alergias

A umidade reduzida prejudica a proteção natural das vias respiratórias. O revestimento do nariz e da garganta fica mais ressecado, o que pode provocar ardência, coceira, espirros, obstrução nasal, tosse e sangramento. A irritação também pode atingir os olhos, causando vermelhidão, sensação de areia, lacrimejamento e coceira.

Segundo materiais técnicos da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, o ar seco e poluído pode agravar doenças respiratórias preexistentes, como rinite, asma, bronquite e enfisema. O desconforto também pode aumentar quando poeira, ácaros, fungos, pólen e poluentes permanecem concentrados no ambiente. (saude.df.gov.br)

Isso não significa que toda irritação seja uma alergia. Ressecamento provocado pelo clima, infecções virais e crises alérgicas podem apresentar sinais parecidos. Por isso, sintomas persistentes ou recorrentes devem ser avaliados por um profissional de saúde, especialmente quando há falta de ar, chiado no peito ou piora de uma doença já diagnosticada.

Hidratação deve ser mantida ao longo do dia

Beber água regularmente é uma das principais recomendações para enfrentar o período de seca. A ingestão de líquidos contribui para reduzir o ressecamento do organismo e ajuda a manter as mucosas hidratadas. A orientação é não esperar a sede aparecer para beber água.

Água, água de coco e sucos naturais podem fazer parte da rotina, de acordo com as necessidades de cada pessoa. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas precisam de atenção especial, pois podem apresentar maior risco de desidratação ou dificuldade para perceber a sede.

A pele e os lábios também podem ficar ressecados. Banhos muito quentes e demorados tendem a aumentar o desconforto. A recomendação é usar água morna, evitar o excesso de sabonete e aplicar hidratante quando necessário. As orientações gerais para o período de baixa umidade também incluem evitar a exposição prolongada ao sol e reduzir atividades físicas ao ar livre nos horários mais quentes e secos. (bvsms.saude.gov.br)

Lavagem nasal pode aliviar o ressecamento

A higiene nasal com soro fisiológico é uma medida frequentemente indicada para ajudar a manter a mucosa hidratada e remover parte das impurezas acumuladas. O produto pode ser utilizado em spray ou em dispositivos próprios para lavagem, sempre com cuidado e sem aplicar pressão excessiva.

O soro fisiológico a 0,9% deve ser usado conforme as orientações da embalagem ou de um profissional de saúde. Também é importante manter o frasco, a seringa ou o dispositivo de aplicação limpos. O compartilhamento desses objetos deve ser evitado.

A lavagem nasal não substitui o tratamento prescrito para rinite, asma ou outras doenças respiratórias. Pessoas que já utilizam medicamentos devem seguir a orientação médica e não interromper o tratamento por conta própria. O uso prolongado de descongestionantes nasais vasoconstritores também exige cautela, pois pode causar efeitos indesejados e piorar a obstrução quando utilizado de maneira inadequada.

Limpeza da casa exige cuidado para não espalhar poeira

Durante a seca, a forma de limpar os ambientes faz diferença. Vassouras e espanadores podem levantar poeira e espalhar partículas pelo ar, aumentando a exposição de quem tem alergia. A preferência deve ser por pano úmido, mop ou aspirador com filtro adequado.

Quartos, salas e outros espaços de permanência prolongada devem ser mantidos limpos e ventilados. Tapetes, carpetes, cortinas de tecido, bichos de pelúcia e excesso de objetos podem acumular poeira, ácaros e outros agentes associados a crises alérgicas.

Roupas de cama precisam ser lavadas com frequência compatível com o uso e completamente secas antes de serem guardadas. Capas antiácaro para colchões e travesseiros podem ser consideradas por pessoas com alergia aos ácaros, especialmente quando há recomendação de um especialista.

A ventilação deve ser equilibrada. Manter os ambientes fechados por muito tempo pode favorecer o acúmulo de poeira e odores. Por outro lado, abrir janelas em momentos de vento intenso ou quando houver muita poeira do lado de fora pode aumentar a entrada de partículas. A limpeza regular dos filtros de aparelhos de ar-condicionado também é importante.

Umidificador requer uso moderado

O umidificador pode ajudar a aliviar o desconforto causado pelo ar seco, mas o uso contínuo ou sem higienização adequada pode produzir o efeito contrário. Excesso de umidade favorece o aparecimento de mofo e a proliferação de ácaros, que são gatilhos conhecidos para algumas alergias.

Recomendações divulgadas pela Agência Brasília orientam que o aparelho seja ligado por apenas duas ou três horas antes de dormir, depois de ser higienizado. O funcionamento durante toda a noite não é indicado quando provoca umidade excessiva no quarto. Reservatórios devem ser esvaziados, limpos e secos conforme as instruções do fabricante. (agenciabrasilia.df.gov.br)

Bacias com água e toalhas úmidas próximas à cama também aparecem em orientações gerais para períodos de baixa umidade. No entanto, esses recursos não devem deixar paredes, móveis ou roupas de cama úmidos, porque o excesso de umidade pode estimular o crescimento de fungos.

Fumaça e cheiros fortes podem desencadear sintomas

A fumaça do cigarro é um dos principais irritantes das vias respiratórias e deve ser evitada, especialmente dentro de casa. Queimadas, incensos, velas, perfumes intensos, produtos de limpeza muito concentrados e outros odores fortes também podem desencadear tosse, espirros, irritação nos olhos ou falta de ar em pessoas sensíveis.

O tempo seco ainda aumenta a preocupação com incêndios florestais e queimadas urbanas. A fumaça pode piorar a qualidade do ar e agravar crises de asma, bronquite e outras doenças respiratórias. A população não deve queimar lixo ou vegetação e deve comunicar ocorrências às autoridades competentes.

Atividades ao ar livre devem ser planejadas

Exercícios ao ar livre nos horários de maior calor e menor umidade podem aumentar a irritação das vias respiratórias. A recomendação divulgada para o Distrito Federal é evitar atividades externas entre 10h e 16h, período em que o ar costuma estar mais seco e quente.

Quando não for possível adiar a atividade, é importante observar as condições do tempo, manter a hidratação e interromper o exercício diante de sintomas como tontura, falta de ar, chiado, dor no peito ou mal-estar. Pessoas com asma devem seguir o plano de tratamento definido pelo médico e levar os medicamentos prescritos quando necessário.

Também é recomendável reduzir a exposição prolongada à poeira, à fumaça e a locais com poluição elevada. A prática de exercícios em ambientes internos, bem ventilados e com boa manutenção dos filtros pode ser uma alternativa, desde que não haja concentração de mofo ou produtos irritantes.

Quando procurar atendimento médico

Sintomas leves e ocasionais podem melhorar com hidratação, higiene nasal e redução da exposição aos gatilhos. Mas a procura por atendimento é necessária quando há piora progressiva, crises frequentes ou dificuldade para realizar atividades cotidianas.

Falta de ar, chiado intenso, sensação de aperto no peito, tosse persistente, febre alta ou prolongada, lábios arroxeados, cansaço extremo e aumento importante de secreção nasal ou pulmonar são sinais que exigem avaliação médica. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias crônicas precisam de atenção redobrada.

No Distrito Federal, a Unidade Básica de Saúde é uma das portas de entrada para avaliação e acompanhamento. Quando necessário, o paciente pode ser encaminhado para atendimento especializado conforme a indicação clínica e os fluxos da rede pública de saúde.

Prevenção deve continuar mesmo quando a umidade melhora

As condições do tempo podem mudar rapidamente em Brasília, mas os agentes acumulados nos ambientes permanecem. Por isso, a prevenção não deve ser interrompida imediatamente após uma chuva ou uma breve elevação da umidade.

Manter a casa limpa, controlar o excesso de umidade, lavar roupas de cama, evitar fumaça, hidratar-se e seguir corretamente o tratamento prescrito são medidas que ajudam a reduzir a frequência e a intensidade dos sintomas. O acompanhamento médico é essencial para identificar os gatilhos individuais e ajustar a prevenção de acordo com cada caso.

Em um período marcado por extremos de umidade e temperatura, os cuidados simples podem diminuir o impacto da seca sobre o nariz, os olhos, a pele e os pulmões. A atenção aos sinais do corpo e a busca por orientação profissional continuam sendo as formas mais seguras de atravessar a estação.