segunda-feira, 28 de setembro de 2026
SAÚDE

Como evitar irritação nos olhos durante a seca de Brasília

A seca de Brasília favorece o ressecamento da superfície ocular e pode provocar coceira, ardência, vermelhidão e sensação de areia nos olhos. Hidratação, proteção contra vento e poeira, pausas durante o uso de telas e atenção ao uso de colírios ajudam a reduzir o desconforto.

A irritação nos olhos durante a seca de Brasília é uma queixa comum quando a umidade do ar cai, especialmente em períodos de calor, vento, poeira e fumaça. A combinação pode acelerar a evaporação da lágrima, que forma uma camada de proteção sobre a superfície ocular.

O resultado pode ser ardência, coceira, vermelhidão, lacrimejamento, sensibilidade à luz, cansaço visual e sensação de areia ou de corpo estranho. Em algumas pessoas, os sintomas são agravados pelo uso prolongado de telas, pelo ar-condicionado, por ventiladores e pela exposição à poluição.

Medidas simples ajudam a aliviar o desconforto e a preservar a saúde dos olhos. No entanto, dor intensa, alteração na visão, secreção ou vermelhidão persistente exigem avaliação profissional.

Por que a seca irrita os olhos

A lágrima não serve apenas para manter os olhos úmidos. Ela lubrifica, limpa e ajuda a proteger a córnea e a conjuntiva contra partículas e microrganismos. Em ambientes quentes e secos, essa película pode evaporar mais rapidamente, deixando a superfície ocular exposta.

O clima de baixa umidade também favorece a circulação de poeira, pólen e fumaça. Essas partículas podem irritar diretamente os olhos ou desencadear reações alérgicas, com coceira, vermelhidão e lacrimejamento. Informações da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde associam o clima seco, o vento, a fumaça e o ar-condicionado à evaporação excessiva das lágrimas.

O problema pode atingir qualquer pessoa, mas tende a incomodar mais quem já tem olho seco, alergias, blefarite, doenças autoimunes ou usa determinados medicamentos. Usuários de lentes de contato também podem sentir maior desconforto em dias de baixa umidade.

Hidrate-se ao longo do dia

Manter a ingestão regular de água ajuda o organismo a preservar suas funções e contribui para o conforto das mucosas, incluindo a superfície ocular. A recomendação é beber água ao longo do dia, sem esperar o aparecimento da sede.

A hidratação não substitui o tratamento de doenças oculares, mas pode fazer parte da rotina de prevenção durante a seca. Frutas e outros alimentos com alto teor de água também podem contribuir para a alimentação, mas não devem ser tratados como substitutos da água.

Pessoas idosas, crianças, trabalhadores expostos ao sol e indivíduos com doenças crônicas precisam de atenção especial à hidratação. Em caso de restrição médica de líquidos, a orientação do profissional que acompanha o paciente deve ser mantida.

Proteja os olhos contra vento, poeira e fumaça

Óculos de sol com proteção contra radiação ultravioleta ajudam a reduzir a exposição à luz intensa e oferecem uma barreira parcial contra vento e partículas. O acessório deve ser usado em atividades externas, principalmente nos períodos de maior calor e secura.

Também é recomendável evitar locais com fumaça, poeira em suspensão e correntes de ar diretamente no rosto. Ventiladores e aparelhos de ar-condicionado não precisam ser abandonados, mas não devem ficar direcionados para os olhos, porque podem acelerar o ressecamento.

Durante a limpeza da casa, prefira métodos que levantem menos poeira, como pano úmido. Ao realizar atividades que produzam partículas, utilize proteção adequada e evite tocar o rosto com as mãos sujas.

Se uma partícula entrar no olho, não esfregue. Lave as mãos e faça uma higienização cuidadosa com solução apropriada. Caso a sensação de corpo estranho continue, ou surjam dor e alteração visual, procure atendimento.

Faça pausas durante o uso de telas

Computadores, celulares e televisores podem intensificar o desconforto porque, ao olhar fixamente para a tela, a pessoa tende a piscar menos. A redução do piscar diminui a distribuição da lágrima sobre o olho.

Para reduzir o problema, faça pausas regulares, pisque conscientemente e ajuste a tela para uma posição confortável, preferencialmente um pouco abaixo da linha dos olhos. A iluminação do ambiente também deve evitar reflexos excessivos.

O Ministério da Saúde alerta que a exposição prolongada a telas pode contribuir para ressecamento e cansaço visual. A recomendação é interromper a atividade por alguns minutos sempre que houver ardência, visão embaçada ou sensação de peso nas pálpebras.

Colírios: o que observar

Colírios lubrificantes, conhecidos como lágrimas artificiais, podem aliviar sintomas relacionados ao ressecamento. A escolha do produto deve considerar a causa do desconforto, a frequência de uso, a presença de alergias e o uso de lentes de contato.

Quando a necessidade de aplicação é frequente, pode ser preferível utilizar formulações sem conservantes, conforme orientação de um oftalmologista ou farmacêutico. A Academia Americana de Oftalmologia informa que pessoas que usam lágrimas artificiais mais de seis vezes ao dia ou têm sensibilidade a conservantes podem se beneficiar desse tipo de produto.

É importante diferenciar colírio lubrificante de produtos destinados apenas a reduzir a vermelhidão. O uso repetido de colírios por conta própria pode mascarar sintomas e, em alguns casos, piorar a irritação. Colírios com corticoides exigem prescrição e acompanhamento médico, devido ao risco de efeitos adversos.

Antes de pingar qualquer produto, lave as mãos e evite encostar a ponta do frasco nos cílios, na pele ou no olho. Não compartilhe colírios e respeite as instruções de armazenamento e o prazo de uso depois da abertura.

Cuidados para quem usa lentes de contato

A seca pode tornar o uso de lentes de contato menos confortável, sobretudo em ambientes com vento, poeira ou ar-condicionado. A lente pode favorecer a sensação de corpo estranho e aumentar o ressecamento em pessoas predispostas.

O usuário deve seguir rigorosamente o período de troca, a higienização e o tempo de uso recomendados pelo oftalmologista e pelo fabricante. Não é seguro dormir com lentes sem autorização específica do profissional. Diante de dor, vermelhidão importante, sensibilidade à luz ou visão embaçada, retire as lentes e procure avaliação.

Lentes de contato não devem ser lavadas com água da torneira nem compartilhadas. A solução indicada para limpeza e armazenamento deve ser usada conforme as instruções da embalagem.

Evite coçar os olhos

A coceira pode levar a pessoa a esfregar os olhos, mas o hábito pode aumentar a irritação e provocar pequenas lesões na superfície ocular. Em casos repetidos e intensos, o ato de coçar também está associado a problemas na córnea.

Quando houver suspeita de alergia, o ideal é reduzir a exposição a poeira, pólen, fumaça e outros desencadeadores. Compressas frias sobre as pálpebras fechadas podem proporcionar alívio temporário, desde que sejam feitas com material limpo e sem pressionar o globo ocular.

Medicamentos antialérgicos ou colírios específicos devem ser utilizados com orientação profissional, especialmente por crianças, gestantes, idosos e pessoas que usam outros remédios.

Umidificação exige cuidado

Em ambientes muito secos, algumas pessoas usam umidificadores ou recipientes com água para aumentar o conforto. O equipamento precisa ser higienizado de acordo com as instruções do fabricante, pois a manutenção inadequada pode favorecer a proliferação de fungos, bactérias e outros contaminantes.

O aparelho também não deve deixar o cômodo excessivamente úmido. O objetivo é reduzir o ressecamento, não criar condições para mofo e ácaros, que podem piorar alergias respiratórias e oculares.

Quando procurar atendimento

O desconforto leve e ocasional pode melhorar com medidas de proteção e lubrificação adequada. Porém, é necessário procurar um oftalmologista ou uma unidade de saúde quando os sintomas persistirem, piorarem ou interferirem nas atividades diárias.

O atendimento deve ser buscado com maior urgência nos seguintes casos:

  • dor moderada ou intensa;
  • vermelhidão acentuada ou persistente;
  • perda ou alteração repentina da visão;
  • sensibilidade intensa à luz;
  • secreção espessa ou purulenta;
  • sensação de corpo estranho que não desaparece;
  • trauma, contato com produto químico ou perfuração;
  • olho vermelho em pessoa que usa lentes de contato.

Esses sinais podem indicar problemas diferentes do simples ressecamento, como infecção, inflamação ou lesão na córnea. A orientação clínica sobre olhos secos do NHS recomenda avaliação urgente em situações como dor associada à vermelhidão, alteração visual, fotofobia intensa ou presença de corpo estranho.

Prevenção deve ser diária

Durante a seca de Brasília, a prevenção funciona melhor quando é incorporada à rotina. Beber água, proteger os olhos do vento e do sol, manter as mãos limpas, evitar fumaça, piscar com frequência e fazer pausas nas telas são medidas de baixo custo que reduzem a sobrecarga sobre a superfície ocular.

Quem apresenta sintomas recorrentes deve evitar a automedicação e buscar avaliação oftalmológica. O olho seco pode estar relacionado a doenças, medicamentos ou alterações nas pálpebras que precisam de tratamento específico. A página do Ministério da Saúde sobre doenças oculares também orienta a não coçar os olhos, ter cuidado com o uso de colírios e procurar ajuda diante de anormalidades na visão.

Com atenção aos sinais do corpo e aos fatores do ambiente, é possível reduzir a irritação e atravessar o período de baixa umidade com mais conforto e segurança.