O Park Way, no Distrito Federal, chama atenção pela presença de áreas verdes, grandes lotes residenciais, reservas naturais e trechos de vegetação típica do cerrado. A paisagem não é resultado apenas da expansão urbana de Brasília: ela está ligada ao desenho original da região, planejada para funcionar como um cinturão verde no entorno do Plano Piloto.
Hoje, a Região Administrativa do Park Way reúne áreas residenciais, zonas rurais, espaços de pesquisa, unidades de conservação e locais associados à memória da construção da capital. A combinação entre baixa densidade de ocupação e extensas áreas vegetadas ajuda a explicar por que o território mantém uma aparência diferente de outras áreas urbanizadas do Distrito Federal.
De acordo com dados do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), a região possui 11.840,56 hectares e abriga, entre outras áreas naturais, a Fazenda Experimental de Água Limpa, da Universidade de Brasília, e os parques ecológicos Córrego da Onça, Luiz Cruls e Lauro Müller, também conhecido como Parque Ecológico do Catetinho. (pdad.ipe.df.gov.br)
Como surgiu o Park Way
A origem do Park Way remonta ao fim de 1956, quando o Departamento de Terras e Agricultura buscava criar uma fonte de recursos por meio da implantação de grandes lotes residenciais ao longo da BR-040. O projeto previa a demarcação de 300 mansões, cada uma com 20 mil metros quadrados.
A iniciativa foi ampliada e incorporada ao plano urbanístico de Brasília em uma das últimas alterações feitas entre 1957 e 1958. Em 13 de março de 1961, o parcelamento foi registrado em cartório pelo então presidente Juscelino Kubitschek, com o nome de Mansões Suburbanas Park Way.
Desde o início, a proposta era estabelecer uma ocupação de baixa densidade, com lotes amplos e uso originalmente residencial. O modelo contrastava com áreas mais compactas da capital e reservava espaço significativo para jardins, árvores, áreas permeáveis e a manutenção da paisagem natural.
O objetivo de formar um cinturão verde do Plano Piloto é apontado em estudos oficiais sobre a região. A concepção ajudou a estruturar uma ocupação marcada por casas, condomínios e áreas livres, embora o território tenha passado por mudanças ao longo das décadas. (pdad.ipe.df.gov.br)
Uma região administrativa formada por áreas distintas
O Park Way não é um território homogêneo. A Região Administrativa é formada por setores residenciais e também inclui áreas rurais, espaços de produção agrícola, trechos próximos a rodovias e regiões com características ambientais específicas.
Segundo o IPEDF, as quadras da região são numeradas de 1 a 29. As quadras 1 a 3 ficam entre as regiões administrativas de Águas Claras e Guará, enquanto as quadras 4 a 29 estão próximas ao Aeroporto Internacional de Brasília. Essa divisão contribui para a existência de paisagens variadas dentro da mesma unidade administrativa.
A região também é associada a Vargem Bonita, área rural criada em 1959 e voltada à produção de hortaliças. O núcleo hortícola foi planejado para abastecer a população durante a construção da nova capital e ainda exerce função econômica e social no Distrito Federal.
A presença de Vargem Bonita reforça o caráter híbrido do Park Way, que reúne moradia, agricultura, áreas de pesquisa e espaços naturais. Em vez de ser apenas um bairro residencial, a região reúne diferentes formas de uso do território, com a vegetação como elemento comum da paisagem.
Áreas verdes e vegetação do cerrado
As áreas verdes do Park Way estão relacionadas tanto aos lotes residenciais de grandes dimensões quanto às reservas naturais e aos parques ecológicos existentes na região. A vegetação típica do cerrado aparece em diferentes trechos, especialmente nas áreas menos urbanizadas e nos espaços destinados à pesquisa e à conservação.
A Fazenda Experimental de Água Limpa, da Universidade de Brasília, é uma das referências ambientais do território. A área é utilizada para atividades de pesquisa, ensino e experimentação, além de preservar porções de vegetação e ambientes característicos do cerrado.
O território também abriga os parques ecológicos Córrego da Onça, Luiz Cruls e Lauro Müller, ligado à região do Catetinho. A existência desses espaços mostra que a estrutura ambiental do Park Way não depende apenas das áreas internas dos lotes residenciais, mas também de áreas protegidas e de interesse ecológico.
O catálogo de mapas do IPEDF mantém uma camada específica sobre a cobertura arbórea e arbustiva intraurbana do Park Way. O material foi produzido com base em imagens de satélite e tem entre seus objetivos subsidiar políticas de arborização urbana e outras ações relacionadas ao planejamento ambiental. (catalogo.ipe.df.gov.br)
Esse tipo de levantamento ajuda a identificar a distribuição da vegetação e a orientar políticas públicas. No caso do Park Way, os dados reforçam a importância de acompanhar a relação entre expansão urbana, manutenção das áreas permeáveis e proteção dos remanescentes de cerrado.
O impacto do modelo de baixa densidade
O desenho urbano do Park Way foi baseado em lotes muito maiores que os encontrados em áreas residenciais mais adensadas de Brasília. Na configuração original, cada lote tinha 20 mil metros quadrados e era destinado exclusivamente à moradia.
Com o passar do tempo, normas permitiram o fracionamento de lotes em determinadas condições. Estudos do IPEDF registram que, a partir de 1993, passou a ser admitida a divisão dos lotes em até oito frações, com área mínima de 2.500 metros quadrados, conforme os decretos mencionados no levantamento.
Mesmo com essas mudanças, a região manteve características de baixa densidade em comparação com áreas verticalizadas do Distrito Federal. A presença de quintais extensos, árvores e espaços não edificados contribui para uma paisagem mais aberta e para a formação de corredores de vegetação entre as áreas ocupadas.
Essa configuração também impõe desafios. O crescimento de condomínios, a abertura de novas vias e a alteração de áreas naturais exigem planejamento para evitar a fragmentação da vegetação, a impermeabilização excessiva do solo e a pressão sobre cursos d’água e áreas ambientalmente sensíveis.
Natureza e memória da construção de Brasília
A paisagem do Park Way não é marcada apenas por elementos naturais. A região também reúne lugares relacionados à história da construção de Brasília, como o Catetinho e a Casa Niemeyer.
O Catetinho foi inaugurado em 10 de novembro de 1956 para receber o presidente, diretores, engenheiros e outras personalidades envolvidas na construção da nova capital. O edifício é reconhecido como um dos marcos iniciais da história de Brasília e está inserido em uma área associada à vegetação e ao ambiente rural do Park Way.
Outro ponto conhecido é a Quadra 28, chamada de Quadra da Arte. O local ganhou destaque pelas esculturas instaladas às margens da via, representando animais da fauna brasileira. Em 2012, a quadra foi declarada patrimônio cultural do Distrito Federal.
A combinação entre áreas verdes, sítios históricos e produção agrícola confere ao Park Way uma identidade própria. A região preserva referências do período de implantação da capital e, ao mesmo tempo, mantém funções ambientais e rurais que ajudam a contar a história do território.
Park Way foi criado como região administrativa em 2003
Embora o setor exista desde o início da construção de Brasília, o Park Way só passou a ser uma região administrativa independente em 29 de dezembro de 2003. A Lei nº 3.255 criou a Região Administrativa do Park Way, identificada como RA XXIV.
Antes disso, a localidade integrava a Região Administrativa do Núcleo Bandeirante. A mudança formalizou uma estrutura administrativa própria para o território, que já apresentava características residenciais, rurais e ambientais específicas.
A criação da região administrativa não alterou sua origem planejada. O Park Way continuou associado à ocupação de baixa densidade, aos grandes lotes e à presença de áreas vegetadas. A legislação urbanística posterior passou a disciplinar o uso e a ocupação do solo, inclusive em relação ao fracionamento de lotes e às áreas ambientalmente protegidas.
A lei que criou a RA XXIV também determinou que alterações nos limites físicos deveriam respeitar as delimitações dos setores censitários, de modo a preservar a continuidade das séries históricas de indicadores sociais e econômicos. (sinj.df.gov.br)
Por que o Park Way mantém uma paisagem mais verde
A presença de áreas verdes no Park Way pode ser explicada por uma combinação de fatores: o planejamento original como cinturão verde, o tamanho dos lotes, a baixa densidade construtiva, a existência de áreas rurais e a presença de reservas e parques ecológicos.
Também contribuem para essa paisagem a Fazenda Água Limpa, os espaços próximos ao Catetinho, o núcleo de Vargem Bonita e os trechos de cerrado que permanecem entre áreas residenciais e vias de circulação. Esses elementos não formam uma única unidade de conservação, mas compõem uma rede territorial de áreas naturais, produtivas e urbanas.
A manutenção desse cenário depende de regras de ocupação, fiscalização, planejamento viário e políticas de arborização. O avanço da urbanização pode modificar a distribuição da vegetação, por isso levantamentos ambientais e mapas de cobertura arbórea são importantes para orientar decisões futuras.
Assim, o Park Way se destaca em Brasília não apenas por ter mais árvores ou lotes maiores, mas por conservar, em sua própria estrutura urbana, parte da ideia de cidade integrada à paisagem natural. A região reúne história, agricultura, patrimônio e cerrado em um território criado para funcionar como transição verde entre o Plano Piloto e outras áreas do Distrito Federal.