quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Especial

Editorial de Paula Litaiff alerta para o silêncio sobre a crise climática na Amazônia

O editorial “Quando o silêncio é resposta na crise”, de Paula Litaiff, destaca a falta de propostas sobre emergência climática nas eleições de 2026 e defende ações de adaptação, proteção ambiental e desenvolvimento sustentável na Amazônia.
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O EDITORIAL “Quando o silêncio é resposta na crise”, de Paula Litaiff, publicado em 15 de setembro de 2026, chama atenção para a ausência de propostas consistentes sobre a emergência climática nos programas de candidatos aos governos dos nove estados da Amazônia Legal. O texto integra a cobertura editorial da REVISTA CENARIUM e sustenta que o clima deveria ocupar posição central no debate eleitoral, sobretudo em uma região que já convive com secas, queimadas, enchentes, ondas de calor e impactos econômicos associados aos eventos extremos.

Segundo o levantamento citado no editorial, 26 dos 56 candidatos analisados não tratam expressamente da crise climática ou de medidas de adaptação em seus programas de governo. A informação, apresentada como um retrato do debate eleitoral de 2026, revela uma lacuna relevante: embora os efeitos das mudanças climáticas estejam presentes no cotidiano da população, o tema ainda não aparece de forma proporcional nas propostas destinadas a governar a Amazônia.

Crise climática ultrapassa a pauta ambiental

Paula Litaiff argumenta que a emergência climática não pode ser tratada como um assunto restrito às secretarias de meio ambiente. Os efeitos de temperaturas elevadas, chuvas intensas, estiagens prolongadas e incêndios atingem diretamente a saúde pública, o abastecimento de água, a produção de alimentos, a geração de energia, o transporte, a infraestrutura urbana e a renda das famílias.

O editorial também cita episódios recentes de calor extremo e de emergência ambiental na região. No Amazonas, o governo decretou situação de emergência, enquanto Manaus registrou temperaturas superiores a 37°C em agosto, conforme os dados mencionados no texto. Mato Grosso e Tocantins também ultrapassaram a marca de 40°C em determinados períodos. Em outras partes do país, chuvas intensas e vendavais expuseram a mesma crise por meio de impactos diferentes.

Para a autora, esses acontecimentos demonstram que a adaptação climática precisa ser planejada como política pública permanente. Isso envolve preparar cidades e comunidades, fortalecer sistemas de saúde, garantir infraestrutura resiliente, proteger áreas de preservação e ampliar a capacidade de resposta do poder público diante de desastres.

Propostas para a Amazônia

O texto destaca contribuições apresentadas pelo climatologista Carlos Nobre em aula magna realizada na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Entre as medidas citadas estão a restauração em larga escala de áreas degradadas, a interrupção do desmatamento, o desenvolvimento de uma economia baseada na biodiversidade e a aproximação entre ciência, tecnologia e comunidades amazônicas.

Essas propostas indicam que a proteção ambiental pode caminhar junto com a geração de renda e a melhoria das condições de vida. Na avaliação apresentada no editorial, a Amazônia precisa superar modelos econômicos que pressionam a floresta sem oferecer segurança duradoura às populações locais. O desafio é transformar a biodiversidade em base para atividades sustentáveis, com conhecimento científico, participação comunitária e valorização dos povos tradicionais.

O material, no entanto, não detalha quais candidatos apresentaram ou deixaram de apresentar propostas climáticas, nem informa a metodologia completa do levantamento citado. Também não são especificados, no texto, os critérios usados para classificar os programas de governo ou o percentual de propostas que tratam de adaptação, prevenção e financiamento climático. Essas informações seriam importantes para ampliar a transparência e permitir uma avaliação mais precisa do cenário eleitoral.

Uma pergunta para o eleitor

O editorial propõe que o eleitorado questione os candidatos sobre medidas concretas para enfrentar os eventos extremos. A pergunta, segundo Paula Litaiff, não deve ser vista como uma exigência exclusivamente ambiental ou ideológica. Trata-se de saber como cada futuro governante pretende assegurar água, alimento, energia, atendimento de saúde, transporte e emprego em um cenário de maior instabilidade climática.

Também é necessário verificar se os programas apresentam metas, prazos, orçamento, órgãos responsáveis e mecanismos de acompanhamento. Sem esses elementos, promessas de sustentabilidade podem permanecer genéricas e difíceis de fiscalizar. A ausência de cronogramas e indicadores, quando constatada, limita a capacidade da sociedade de acompanhar a execução das políticas públicas.

Ao colocar o silêncio dos candidatos no centro da discussão, o editorial de Paula Litaiff reforça que a crise climática já faz parte da realidade política e econômica da Amazônia. O tema interfere no presente e condiciona as possibilidades de desenvolvimento dos próximos anos. Por isso, a eleição de 2026 representa uma oportunidade para cobrar respostas mais claras sobre prevenção, adaptação e proteção da floresta.

Quem é Paula Litaiff

Paula Litaiff é jornalista natural do Amazonas, mestre em Sociedade e Cultura da Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e especialista em Gestão Social: Políticas Públicas e Defesa de Direitos. Com duas décadas de experiência em Comunicação Social, ela é fundadora da Rede Cenarium, grupo de comunicação sediado na Amazônia e voltado à produção de conteúdos jornalísticos em diferentes plataformas.

De acordo com a biografia publicada pela própria REVISTA CENARIUM, Paula Litaiff atua na direção do veículo, que reúne revista digital e impressa, agência de notícias e produção audiovisual. Seu trabalho está associado à cobertura de temas socioambientais, direitos humanos, povos tradicionais e reportagens investigativas sobre a Região Norte.

O editorial “Quando o silêncio é resposta na crise” amplia essa linha de atuação ao relacionar a emergência climática às decisões políticas que serão tomadas nas eleições de 2026. A mensagem central é direta: diante de eventos extremos cada vez mais presentes, o silêncio dos candidatos também deve ser entendido como uma resposta — e precisa ser questionado pelo eleitor.