29 de maio de 2023 às 08:01
Publicado na revista científica Journal of Racial and Ethnic Health Disparities, em 24 de abril deste ano, o artigo que apontou os efeitos letais da desinformação no Amazonas, na segunda onda da Covid-19, colocou em xeque os veículos de imprensa tradicionais que disseminaram dados dos boletins do Atlas de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS Atlas Amazonas) sem ouvir contrapontos, levando as autoridades a abolirem medidas que poderiam ajudar a salvar vidas, no segundo semestre de 2020 e começo de 2021.
Um erro grave e irreversível para os mortos no segundo ápice da contaminação pelo novo coronavírus. A pesquisa, assinada por oito cientistas de seis instituições brasileiras, confrontou jornalistas que noticiaram informações de boletins como se fossem um estudo científico. “Pesquisa científica precisa ser publicada em imprensa científica para a revisão dos pares. Se assim não for, não pode ser divulgada como Ciência”, ratificaram os pesquisadores.
A REVISTA CENARIUM foi um dos veículos de comunicação que decidiu ouvir o contraponto aos boletins do ODS Atlas Amazonas, na edição de junho de 2020, após acompanhar, na imprensa internacional, que a segunda onda da pandemia iniciava com força nos países da América do Norte e na Europa. Não havia pesquisas brasileiras sobre a letalidade da variante P.1, conhecida como gama, que surgiu em Manaus (AM) durante a segunda onda da Covid-19 e se alastrou para o restante do País.
O fazer jornalístico é complexo em sua essência e, a cada dia, exige dos profissionais que se propõem a exercer a profissão um alto grau de responsabilidade. O escritor e jornalista Felipe Pena (2005) defende que “Embora o jornalista seja participante ativo na construção da realidade, não há uma autonomia incondicional em sua prática profissional, mas sim a submissão a um planejamento produtivo”.
Pena foi um dos principais estudiosos da teoria “newsmaking”, que pressupõe que as notícias cumprem uma rigorosa rotina industrial determinada pelos veículos de comunicação devido à quantidade excessiva dos fatos e os riscos que erros podem gerar. Nós, jornalistas, precisamos estar em constante reflexão sobre a ideia de que a informação pode ser antídoto ou veneno e, cabe a nós, a responsabilidade de receitar.
O assunto foi tema de capa e especial jornalístico da nova edição da REVISTA CENARIUM do mês de maio de 2023. Acesse aqui para ler o conteúdo completo.
Paula Litaiff é jornalista, pesquisadora, empresária da comunicação e uma das principais referências do jornalismo independente voltado à Amazônia brasileira. Com mais de duas décadas de atuação profissional, consolidou sua carreira por meio da produção de reportagens investigativas, da defesa da liberdade de imprensa e da cobertura de temas relacionados à política, meio ambiente, direitos humanos, povos tradicionais e desenvolvimento sustentável. É fundadora e diretora-geral da Revista Cenarium, veículo de comunicação multiplataforma sediado em Manaus (AM), reconhecido nacionalmente pela cobertura especializada da região amazônica.
Natural do Estado do Amazonas, Paula Litaiff é mestre em Sociedade e Cultura da Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), especialista em Gestão Social: Políticas Públicas e Defesa de Direitos, além de graduada em Jornalismo. Sua formação acadêmica está diretamente ligada às questões sociais, políticas e culturais da Amazônia, refletindo-se em sua produção jornalística e em suas pesquisas voltadas à realidade amazônica.
Ao longo da carreira, especializou-se na cobertura de grandes temas nacionais e internacionais envolvendo a Amazônia Legal. Suas reportagens abordam questões ambientais, mudanças climáticas, desenvolvimento regional, direitos dos povos indígenas, governança pública, economia da floresta, democracia, justiça social e combate à desinformação. Sua atuação contribuiu para ampliar a presença da Amazônia no debate nacional e internacional por meio de uma abordagem baseada em investigação, análise de dados e aprofundamento dos fatos.
Em 2019, fundou a Rede Cenarium, grupo de comunicação que reúne a Revista Cenarium, Agência Cenarium e outros projetos editoriais. O veículo tornou-se referência na cobertura jornalística da Amazônia, produzindo conteúdo multimídia distribuído em plataformas digitais, revista impressa, vídeos, podcasts e reportagens especiais. A linha editorial prioriza o jornalismo investigativo, a defesa dos direitos humanos, a valorização da ciência, da cultura amazônica e da preservação ambiental.
Sua experiência também alcançou o audiovisual. Paula Litaiff colaborou na produção do documentário “Bandidos na TV” (Killer Ratings), lançado mundialmente pela Netflix, obra que investiga a relação entre política, mídia e crime organizado no Amazonas. Posteriormente, passou também a atuar como narradora do documentário em sua versão internacional.
Além da atuação jornalística, Paula Litaiff desenvolve atividades acadêmicas e de pesquisa. É integrante do Grupo de Estudo, Pesquisa e Observatório Social: Gênero, Política e Poder (GEPOS), da Universidade Federal do Amazonas, onde desenvolve pesquisas relacionadas à participação política feminina, gênero e movimentos sociais na Amazônia. Seu trabalho de mestrado sobre mulheres indígenas foi reconhecido em eventos científicos da região Norte. Também é coorganizadora da obra “Gênero, Trabalho e Lutas na Amazônia”, contribuindo para a produção de conhecimento sobre a realidade amazônica.
Como palestrante, participa frequentemente de congressos, seminários e fóruns nacionais voltados ao jornalismo investigativo, inovação na comunicação, democracia, combate à desinformação e cobertura da Amazônia. Entre os eventos em que participou destacam-se o Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji e o Festival 3i – Jornalismo Inovador, Inspirador e Independente, debatendo temas como segurança de jornalistas, cobertura socioambiental e fortalecimento do jornalismo regional.
Ao longo dos últimos anos, Paula Litaiff consolidou-se como uma das vozes mais influentes do jornalismo amazônico. Seus editoriais abordam frequentemente democracia, políticas públicas, desenvolvimento sustentável, igualdade de gênero, proteção da floresta e fortalecimento das instituições democráticas, buscando ampliar o debate público sobre os desafios e oportunidades da Amazônia.
Seu trabalho também recebeu reconhecimento nacional. Em 2025, foi indicada ao prêmio 100+ Jornalistas Mais Admirados do Brasil, promovido pelo Portal dos Jornalistas e pelo Jornalistas&Cia., distinção concedida a profissionais que se destacam pela relevância, credibilidade e impacto na comunicação brasileira.
Atualmente, Paula Litaiff segue à frente da Revista Cenarium e de seus projetos editoriais, dedicando-se à produção de jornalismo independente, investigativo e de interesse público, com foco permanente na Amazônia e em temas que influenciam o desenvolvimento social, ambiental e político do Brasil.
Publicado em: 31/07/2026 às 21:01

